DIA DO PROFESSOR

25, outubro 2009 por giba1979

Mais um dia do professor se passou.

 

Fui rever o post que escrevi sobre este tema há um ano http://metropolesp.wordpress.com/2008/10/17/dia-do-professor/ e deparei-me com um texto prolixo, relatando um pouco da história do dia do professor em meio à conturbada década de 60 e uma crítica à nossa sempre companheira da área “diumanas” Veja. Ao final, falava de princípios que deveriam nortear nosso trabalho como professores: Democracia e questionamento às verdades absolutas.

 

Um ano se passou. A Veja está mais contida (acredito que se deu conta que sua credibilidade não era inabalável) e os dilemas dos professores continuam em alta. A começar pelos nossos sindicatos. Nos jornais, algumas reportagens esparsas e nenhum anúncio para a valorização da profissão, seja da FEPESP, seja da APEOESP.

 

No noticiário, reportagens sobre o lento aumento dos salários da categoria, a partir da implantação do piso nacional e agressão de alunos a docentes. Passamos de profissionais respeitados para sonhadores e, enfim, pobres coitados e encostados – “Professor, você trabalha ou só dá aula?”

 

Que no dia dos professores celebremos nossa profissão. Não somos profetas, tampouco idealistas. Temos um papel nesta sociedade e, em cada sala de aula que entramos, devemos respirar fundo e lembrarmos o nosso papel social como construtores de crítica. A exposição do mundo não é mais privilégio nosso, mas a crítica e a interpretação do mesmo, sim. Lembrarmos que somos pais e mães, filhos e filhas, maridos e esposas, companheiros e companheiras de outras tantas pessoas que dependem de nossos rendimentos. Enfim, lembrarmos que naquele espaço o qual vamos entrar está o limite entre o privado e o público e que é nesta relação imposta por nossos alunos que devemos atuar. Nossa luta é por cidadania, não por subjugação, domínio ou estrelato.

KIRIKU E A VOLTA DOS POSTS (ASSIM ESPERO…)

10, outubro 2009 por giba1979

Imagino que o sentimento de impotência perante o mundo não seja exclusivo…

Exigem que sejamos heróis. E, muitas vezes, buscamos sê-lo para tentarmos sair da opressão que a cada dia nos consome mais.

Tão longa quanto a minha pausa aqui no blog foi o tempo que levei para assistir ao filme que a minha leitora mais assídua, Ana Maria, havia me emprestado. Dizia ela, tem tudo a ver com o que estudamos. Pois bem, hoje assisti ao filme

É a história de uma criança ansiosa pelo mundo, dengosa, mas cuja mãe não lhe tem como propriedade, apóia-o na descoberta do mundo, alimentando sua autonomia. Sua maior intriga é saber por que a feiticeira Karabá é tão má. E surpresa… Bom, não vou contar o resto do filme. Deixo aqui o trailler:

http://www.youtube.com/watch?v=gxUiV9-R26k&feature=player_embedded

Ao final, me senti envolvido pelo pequeno, mas forte, Kiriku. Sua determinação o levou a desconstruir as ilusões que envolviam e atemorizavam as pessoas da aldeia. Era um herói diferente, não precisou destruir o mal, o transformou. Descobriu em sua luta a essência contraditória do ser humano, soube lutar contra os ataques da natureza, revertendo-os ao seu favor. Bastava-lhe a inteligência.

E, terminando mais um ano letivo, fico com as dúvidas do que valeu ou ficou para meus quase ex-alunos…

Ao assistir Kiriku, percebo que, pelo menos para poucos, consegui alcançar o objetivo de instigar sua curiosidade para entender um mundo imperfeito. Um mundo cujas verdades são meras ilusões que muitos lutam para fazê-las reais, decorar e reproduzir, sem se darem conta que correm o risco de se tornarem meros guerreiros da feiticeira.

Kiriku é uma obra-prima, que mostra às nossas crianças mais do que a luta entre o bem e o mal, mas a essência do ser humano.

Obrigado, Ana!

O IDESP e os problemas na educação

30, março 2009 por giba1979

Com um pouco de atraso, um post que não consegui publicar na data (20/03)

Na última quinta, foi publicado o resultado do IDESP (Índice do Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). A nota, em geral, subiu. Mas, de zero a dez, a média ficou entre 3,95 (no Ensino Fundamental I) e 1,95 (no Ensino Médio).

Veja reportagem: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090319/not_imp341203,0.php

O processo de avaliação é de fundamental importância quando se quer garantir os resultados de qualquer processo. No entanto, é aí que mora o perigo, pois avaliar significa estabelecer critérios e estes critérios servem a interesses que não necessariamente são do interesse dos envolvidos no processo, no caso, os educadores, alunos, familiares e a sociedade em geral.

O IDESP, desenvolvido no governo tucano, usa como base a metodologia do IDEB, criado pelo MEC, no governo do PT. O nacional, analisa o tempo em que um aluno demora para atravessar a educação básica (do fundamental até o médio) e a nota na Prova Brasil, feita por todos os alunos da rede pública. Neste, as notas dos estado de São Paulo variam entre 4,7 e 3,4. O estadual, utiliza os mesmos critérios, mas ao invés da Prova Brasil, utiliza como referência de qualidade o Saresp.

O primeiro problema surge ao unir estes dois fatores em um único índice, pois a melhora do índice pode não ter vínculo com a melhora da qualidade e sim com a aprovação automática de alunos. Sou radicalmente contra a política educacional que valoriza a reprovação e a usa como ferramenta de terrorismo pedagógico, além disso, um aluno adolescente em uma classe de pré-adolescentes, mais prejudica do que ajuda o processo de aprendizagem dele e dos colegas.

No entanto, sabemos que estes índices servem de base para a obtenção de financamento em instituições financeiras internacionais, que permitem que o governo tenha acesso a verbas para a construção de obras que lhe garanta votos. Portanto, quanto menor o índice de reprovação mais verbas tem o governo estadual, independente de qualidade do ensino. Com isso, muitos alunos aprovados em péssimas condições, logo, o desastre da qualidade é bem pior que as notas do IDESP, já quea política da aprovação automática é bastante eficiente no Estado.

Agora, o mais grave é o incentivo dado para melhora das notas: um bônus ao professor. Ora, ao dar este bônus, temos uma série de problemas: Primeiro, atribui única e exclusivamente ao professor a responsabilidade pela melhora no ensino. Segundo, em escolas ameaçadas pela violência urbana, sem transporte adequado dos alunos, merenda adequada e material escolar, como os professores farão um trabalho de qualidade? Terceiro, se o resultado dos alunos supostamente melhorou com o bônus, está claro que o problema da educação passa pelo salário dos professores que, como as notas de desempenho do IDESP, não estão entre os melhores do país.

Em tempo, um professor da rede estadual (nível superior) em início de carreira, com cerca de 22 hs/aula, ganha cerca de R$ 900,00. Para os desavisados, para cada hora/aula, o professor gasta, pelo menos mais 70% deste tempo em correções e preparações…

Os motivos das tucanadas da Veja…

28, fevereiro 2009 por giba1979

No dia 10/11/2008 publiquei um post consternado com o “sútil” comentário da Veja à adoção da Revista Carta na Escola pelo colégio Visconde Porto Seguro, tradicional instituição privada de ensino da cidade de São Paulo.

http://metropolesp.wordpress.com/2008/11/10/

Agora, lendo o blog do Nassif, peguei uma interessante discussão acerca de um contrato sem licitação que a Editora Abril fechou com a Secretaria de Educação do Estado para a distribuição, por um ano, da Revista Nova Escola. Valor do contrato: R$ 3.470.000,00.

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/28/negocios-da-educacao/#comment-604457

Outros leitores fizeram o levantamento de outros tantos contratos milinários da editora Abril com a Secretaria, todos sem licitação.

Primeiro, não seria mais barato para a Secretária e os cofres públicos assinarem para as escolas (que são cerca de 6.000) ao invés de enviarem para cada professor (cerca de 300.000) e destinarem mais verbas para a melhoria da qualidade e retenção dos estudantes no Ensino Médio?

Segundo, há outras publicações de qualidade no mercado. Por que a da Editora Abril foi a escolhida?

FORA DO AR

18, fevereiro 2009 por giba1979

Por problemas particulares e reorganização de início de ano letivo, ficarei fora do ar por algum tempo.
Mas volto em breve!

DA LOUCURA E DA LIBERDADE

31, janeiro 2009 por giba1979

A luta pela Liberdade tem muito vieses e um dos deles é o tratamento da saúde mental!

Há um livro do Foucault que retrata muito bem o que foi a loucura ao longo dos tempos. Chama-se “História da Loucura”. É pesado, mas valioso!

Este tema ganhou importância a partir do século XVIII, com a Cultura da Modernidade. O que é o Homem perfeito? Daí, qualquer um que não se enquadrasse no modelo de perfeição, principalmente adversários políticos dos que ocupavam o Poder.

No Brasil, a luta antimanicomial é recente, data do final dos anos 70 e se expandiu nos 80, não por acaso, juntamente com a abertura política do país. Os “loucos” eram enclausurados e aqueles, que de alguma maneira apresentavam algum distúrbio, ao invés de recuperarem-se, saíam pior (se saíssem) e com muitos traumas. Hoje em dia, muito se avançou, mas muito há que avançar. Muitos manicômios foram fechados e alternativas de tratamento espalharam-se pelo país.

Por outro lado, a cultura do medicamento expande-se. Cada vez mais crianças e adolescentes que estão numa fase de maturação e de construção do ser, vêem-se classificadas e dopadas de remédios a fim de que se estabeleça o controle externo sobre elas. Cada vez mais, os remédios são a primeira alternativa e não a última!

Discutir a loucura é discutir a liberdade e o ser humano. É discutir a loucura que há em cada um de nós e o uso político que se faz do nosso corpo e de nossa mente… Parece que sempre buscamos modelos: Jesus, Maomé, Profetas, Buda, Brad Pitt, Angelina Jolie, Gisele Bündchen, etc… Mas raramente olhamos para nós mesmos.

E numa sociedade em que o espetáculo ganha força, estes modelos cada vez mais são estéticos e cada vez menos éticos. Somos bombardeados por informações que nos confundem… Nos sensibilizamos pelo caso de assassinato de uma menina e ignoramos outros milhares que são mortos diariamente. A loucura da madrasta ou do ex-namorado é exaltada e não faltam psiquiatras e psicólogos a aparecer na TV para dar um laudo e ver sua sala de espera encher de indivíduos comuns em busca de soluções fáceis para suas vidas.

O louco pode ser a luz sobre a Liberdade que buscamos diariamente e que nos angustia…

A ESPERANÇA VENCEU O MEDO!

21, janeiro 2009 por giba1979

A frase de Obama ecoou no Brasil!

Pena que para poucos, já que os jornais de oposição calaram-se sobre esta frase que foi usada na campanha de Lula para a presidência, em 2003. O simbolismo da mudança está instituído.

Que Obama cumprirá tudo o que promete… Tomara, mas acho difícil!

Que os EUA continuarão sua política externa hegemônica? Sim, Obama elegeu-se pelos EUA, por este Estado jurou lealdade e por seus interesses históricos é que lutará!

Que Obama conseguirá manter a unanimidade que apresenta? Não,  o apoio que recebe é diretamente proporcional à rejeição de seu antecessor!

DA CEGUEIRA E DA LUCIDEZ

20, janeiro 2009 por giba1979

Publico o link para o post de um colega que foi acusado de anti-semita:

http://opalpiteiro.blogspot.com/2009/01/de-volta-e-tranquilo.html

Os Estados Nacionais são estruturas de poder historicamente e geograficamente criadas. E uma de suas principais estratégias de sobrevivência e a IDENTIDADE NACIONAL. Como exemplos desta identidade podemos citar a língua, a moeda, a bandeira, o hino, a feijoada, a caipirinha, o brigadeiro, o futebol e…  a  RELIGIÃO! Ora, criticar o Estado de Israel nã significa criticar judeus. A “Guerra de Civilizações” existe apenas para justificar a permanência dos Senhores da Guerra, secos pelo Poder.

E aos que ainda se identificam pela Nação, sem críticas, lembro que, na história, seu resultado foi o apoio cego de milhares de pessoas ao nazismo e ao facismo.

AR SINTÉTICO

19, janeiro 2009 por giba1979

Feito pela assídua leitora, Ana, inspirada no post anterior!

Ar sintético

 

 

Borracha engolindo asfalto,

Máquinas de assassinar,

Máquinas de transformar

Dinossauro em fumaça.

 

Florestas quadriculadas

Grandes árvores de vidro

Máquinas berrando lá fora

 

Florestas privilegiadas

Largas árvores frondosas

Máquinas berrando ao longe

 

Ao lado das quadriculadas

Amontoa-se bosque esquecido

De árvores mal crescidas

 

Cadê a fauna desse lugar?

Atrás dos vidros arbóreos.

Em manadas aleatórias.

Presas dentro das máquinas.

 

De resto só algumas pragas

Uns quadradinhos de grama

E feras cativas dentro de casa

Abrindo espaço para a discussão, adorei esta estrofe:

Cadê a fauna desse lugar?

Atrás dos vidros arbóreos.

Em manadas aleatórias.

Presas dentro das máquinas.

DA CICLISTA E DA CIDADE

15, janeiro 2009 por giba1979

Ontem, foi morta, na Avenida Paulista, a fisioterapeuta Marcia Regina Prado.

Não poderia ser mais emblemático!

ciclistamorta_14_01_08

Sua cabeça destroçada pela roda traseira de um ônibus que não pôde esperar a ciclista levantar-se. Estava na Avenida Paulista, um dos centros financeiros de São Paulo, onde multidões se acotovelam para sustentar o business.

Na cidade atropelada pelo desenvolvimento, que em algumas décadas viu seu tamanho multiplicar-se às dezenas, parece-me que as pessoas perderam espaço. Cada vez mais estamos desiludidos, irritados, estressados e intolerantes!

Só as desgraças midiáticas nos geram algum conforto (Caso Isabella, Caso Eloá, etc…). E na cidade das máquinas, uma das poucas pessoas que usavam a cabeça na luta pela sua humanização terminou destroçada!

Ainda em tempo: A cidade de São Paulo tem cerca de 30 km de ciclovias. A maioria delas em parques, ou seja, a bicilieta não é vista como meio de transporte, apenas de lazer.