Dúvida rápida

Se Celso Russomano (PRB) está em segundo lugar, por que ele não aparece no noticiário político?

Os partidos e a grande mídia, juntos, transformaram a disputa paulistana numa questão federal e, assim, a cidade perde…

Triste!

Frases feitas

Ainda sobre o post anterior…

Compartilho a poesia de Affonso Ávila, poeta modernista mineiro, criticando a fala do governador de Minas Gerais, Antonio Carlos, ao declarar apoio aos revoltosos de São Paulo de 1932 e dizer: “Façamos a revolução antes que o povo a faça”:

FRASES FEITAS

Affonso Ávila

façamos a revolução
antes que o povo a faça
antes que o povo à praça
antes que o povo a massa
antes que o povo na raça
antes que o povo: A FARSA

o senso grave da ordem
o censo grávido da ordem
o incenso e o gáudio da ordem
a infensa greve da ordem
a imensa grade DA ORDEM

terra do lume e do pão
terra do lucro e do não
terra do luxo e do não
terra do urso e do não
terra da usura e DO NÃO

mais da lei que dos homens
mais da grei que os come
mais do dê que do tome
mais do rei que do nome
mais da rês que DA FOME

num peito de ferro
é um coração de ouro
é o quorum a ação do ouro
é o coro a ação do ouro
é a cor a ópio-ação do ouro
é a gorda nação DO OURO
Modesto como convém

Austero como é do gosto
Aufere como é do gosto
Ao ferro como é do gosto
Ar estéril como é do gosto
Austero e comendo A GOSTO

Solidário só no câncer
Solidário só no câmbio
Solidário só na canga
Solidário só na campa
Solidário só NA CAMA

Aos inimigos bordoada
Aos amigos marmelada
Aos contíguos marmelada
Aos conspícuos marmelada
Aos promíscuos marmelada
Aos ambíguos marmelada

O crime é não vencer
O crime é não vender
O crime é não vir a ser
O crime é não virar cedo
O crime é o NÃO VEZES CEM

libertas quae sera tamen
liberto é o ser que come
livre terra ao sertanejo
livro aberto será a trama
LIBERTO QUE SERÁ O HOMEM

In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 17-19. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Código de Mina

O uso político da História…

Julho é mês de férias e de um feriado exclusivo dos Paulistas – A “revolução constitucionalista”.

Estar na cidade nesta data, me fez perceber como que o ufanismo do governo paulista tem beirado o fascismo.

Sua voz na imprensa está no Jornal o “Estado de São Paulo”, com extensa reportagem sobre heróis e o desejo paulista pela “legalidade”. Até aí, nenhuma novidade. O Estadão pertence à família Mesquita, que erigiu seu império de mídia na luta contra a monarquia e no apoio aos generais da Primeira República, escorrassados do poder por Getúlio e seus apoiadores. Na verdade, o que mudou foi o foco geográfico da lógica de poder, já que o papel central de São Paulo na formação da República já havia se esgotado após a crise do café.

Um pouco antes, ao sair do aeroporto de Guarulhos, leio a seguinte frase num outdoor “Welcome to São Paulo, the n1 state of Brazil” Hmmm… número 1 em que? Parece-me aquele aluno que quer ser “o melhor” e, de repente, deixa de fazer a tarefa ou estudar para a prova, acreditando ter um tratamento diferenciado… No mínimo, por uma questão de decoro federativo, os publicitários do governo deveriam evitar isso. Imagine as pessoas de outros estados lendo isso! “Se São Paulo é o número 1, eu sou o quê?”

Isso sem falar nos comentários nos jornais escritos e televisivos e nas rodas de conversa que legitimam este discurso falso de que se trabalha apenas em São Paulo… Doce ilusão! Às vezes, inclusive, tenho a impressão de que somos, sim, é mais pelegos!?

Quando os políticos legitimam seu poder e buscam o apoio da população através do discurso geográfico e da superioridade de seu povo, naturalizam-se as diferenças e a política, eliminando o debate, tornando-o muito mais uma questão de pele.

Me preocupam os discursos que colocam São Paulo contra o resto doo Brasil, lembrando que tal discurso interessa diretamente aos partidos que estão por aqui e que gostariam de estar por alí…

HERANÇA AUTORITÁRIA

Recentemente, no site da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, o golpe militar de 1964 foi citado como uma revolução. Conceito utilizado de maneira ideológica pelos militares a fim de confundir e justificar-se para a população.

Toda revolução representa uma mudança radical na estrutura de poder de uma sociedade e todos sabemos que o golpe de 1964 serviu para legitimar uma elite conservadora e de mentalidade colonial no poder, além de alinhar o Brasil com os interesses estadunidenses da Guerra Fria.

O processo de redemocratização dos anos 80 tampouco representou uma revolução. Foi uma mudança na estrutura de governo, mantendo os mesmos grupos conservadores no poder e abrindo maior espaço para líderes progressistas. Entre eles, parte dos que posteriormente iriam fundar o PSDB.

Recentemente, e, principalmente, após as eleições de 2010, me vem inquietando um movimento de militarização da política paulista e arroubos de preconceitos e conservadorismos de sua classe média tradicional. Desde a baixaria do aborto e da homossexualidade, passando pelo comando das subprefeituras na mão de militares aposentados, pelas ações na cracolândia, por Pinheirinho e no aumento no número de mortes realizados pela polícia.

Qual o tamanho da autonomia que a cúpula militar está adquirindo em São Paulo?

Quais os acordos que estão sendo realizados nos bastidores?

Até que ponto a cultura colonial pode apoiar um novo golpe militar (o terceiro?) na República deste país?

DIA DO PROFESSOR

Mais um dia do professor se passou.

 

Fui rever o post que escrevi sobre este tema há um ano https://metropolesp.wordpress.com/2008/10/17/dia-do-professor/ e deparei-me com um texto prolixo, relatando um pouco da história do dia do professor em meio à conturbada década de 60 e uma crítica à nossa sempre companheira da área “diumanas” Veja. Ao final, falava de princípios que deveriam nortear nosso trabalho como professores: Democracia e questionamento às verdades absolutas.

 

Um ano se passou. A Veja está mais contida (acredito que se deu conta que sua credibilidade não era inabalável) e os dilemas dos professores continuam em alta. A começar pelos nossos sindicatos. Nos jornais, algumas reportagens esparsas e nenhum anúncio para a valorização da profissão, seja da FEPESP, seja da APEOESP.

 

No noticiário, reportagens sobre o lento aumento dos salários da categoria, a partir da implantação do piso nacional e agressão de alunos a docentes. Passamos de profissionais respeitados para sonhadores e, enfim, pobres coitados e encostados – “Professor, você trabalha ou só dá aula?”

 

Que no dia dos professores celebremos nossa profissão. Não somos profetas, tampouco idealistas. Temos um papel nesta sociedade e, em cada sala de aula que entramos, devemos respirar fundo e lembrarmos o nosso papel social como construtores de crítica. A exposição do mundo não é mais privilégio nosso, mas a crítica e a interpretação do mesmo, sim. Lembrarmos que somos pais e mães, filhos e filhas, maridos e esposas, companheiros e companheiras de outras tantas pessoas que dependem de nossos rendimentos. Enfim, lembrarmos que naquele espaço o qual vamos entrar está o limite entre o privado e o público e que é nesta relação imposta por nossos alunos que devemos atuar. Nossa luta é por cidadania, não por subjugação, domínio ou estrelato.

KIRIKU E A VOLTA DOS POSTS (ASSIM ESPERO…)

Imagino que o sentimento de impotência perante o mundo não seja exclusivo…

Exigem que sejamos heróis. E, muitas vezes, buscamos sê-lo para tentarmos sair da opressão que a cada dia nos consome mais.

Tão longa quanto a minha pausa aqui no blog foi o tempo que levei para assistir ao filme que a minha leitora mais assídua, Ana Maria, havia me emprestado. Dizia ela, tem tudo a ver com o que estudamos. Pois bem, hoje assisti ao filme

É a história de uma criança ansiosa pelo mundo, dengosa, mas cuja mãe não lhe tem como propriedade, apóia-o na descoberta do mundo, alimentando sua autonomia. Sua maior intriga é saber por que a feiticeira Karabá é tão má. E surpresa… Bom, não vou contar o resto do filme. Deixo aqui o trailler:

http://www.youtube.com/watch?v=gxUiV9-R26k&feature=player_embedded

Ao final, me senti envolvido pelo pequeno, mas forte, Kiriku. Sua determinação o levou a desconstruir as ilusões que envolviam e atemorizavam as pessoas da aldeia. Era um herói diferente, não precisou destruir o mal, o transformou. Descobriu em sua luta a essência contraditória do ser humano, soube lutar contra os ataques da natureza, revertendo-os ao seu favor. Bastava-lhe a inteligência.

E, terminando mais um ano letivo, fico com as dúvidas do que valeu ou ficou para meus quase ex-alunos…

Ao assistir Kiriku, percebo que, pelo menos para poucos, consegui alcançar o objetivo de instigar sua curiosidade para entender um mundo imperfeito. Um mundo cujas verdades são meras ilusões que muitos lutam para fazê-las reais, decorar e reproduzir, sem se darem conta que correm o risco de se tornarem meros guerreiros da feiticeira.

Kiriku é uma obra-prima, que mostra às nossas crianças mais do que a luta entre o bem e o mal, mas a essência do ser humano.

Obrigado, Ana!

O IDESP e os problemas na educação

Com um pouco de atraso, um post que não consegui publicar na data (20/03)

Na última quinta, foi publicado o resultado do IDESP (Índice do Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). A nota, em geral, subiu. Mas, de zero a dez, a média ficou entre 3,95 (no Ensino Fundamental I) e 1,95 (no Ensino Médio).

Veja reportagem: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090319/not_imp341203,0.php

O processo de avaliação é de fundamental importância quando se quer garantir os resultados de qualquer processo. No entanto, é aí que mora o perigo, pois avaliar significa estabelecer critérios e estes critérios servem a interesses que não necessariamente são do interesse dos envolvidos no processo, no caso, os educadores, alunos, familiares e a sociedade em geral.

O IDESP, desenvolvido no governo tucano, usa como base a metodologia do IDEB, criado pelo MEC, no governo do PT. O nacional, analisa o tempo em que um aluno demora para atravessar a educação básica (do fundamental até o médio) e a nota na Prova Brasil, feita por todos os alunos da rede pública. Neste, as notas dos estado de São Paulo variam entre 4,7 e 3,4. O estadual, utiliza os mesmos critérios, mas ao invés da Prova Brasil, utiliza como referência de qualidade o Saresp.

O primeiro problema surge ao unir estes dois fatores em um único índice, pois a melhora do índice pode não ter vínculo com a melhora da qualidade e sim com a aprovação automática de alunos. Sou radicalmente contra a política educacional que valoriza a reprovação e a usa como ferramenta de terrorismo pedagógico, além disso, um aluno adolescente em uma classe de pré-adolescentes, mais prejudica do que ajuda o processo de aprendizagem dele e dos colegas.

No entanto, sabemos que estes índices servem de base para a obtenção de financamento em instituições financeiras internacionais, que permitem que o governo tenha acesso a verbas para a construção de obras que lhe garanta votos. Portanto, quanto menor o índice de reprovação mais verbas tem o governo estadual, independente de qualidade do ensino. Com isso, muitos alunos aprovados em péssimas condições, logo, o desastre da qualidade é bem pior que as notas do IDESP, já quea política da aprovação automática é bastante eficiente no Estado.

Agora, o mais grave é o incentivo dado para melhora das notas: um bônus ao professor. Ora, ao dar este bônus, temos uma série de problemas: Primeiro, atribui única e exclusivamente ao professor a responsabilidade pela melhora no ensino. Segundo, em escolas ameaçadas pela violência urbana, sem transporte adequado dos alunos, merenda adequada e material escolar, como os professores farão um trabalho de qualidade? Terceiro, se o resultado dos alunos supostamente melhorou com o bônus, está claro que o problema da educação passa pelo salário dos professores que, como as notas de desempenho do IDESP, não estão entre os melhores do país.

Em tempo, um professor da rede estadual (nível superior) em início de carreira, com cerca de 22 hs/aula, ganha cerca de R$ 900,00. Para os desavisados, para cada hora/aula, o professor gasta, pelo menos mais 70% deste tempo em correções e preparações…

Os motivos das tucanadas da Veja…

No dia 10/11/2008 publiquei um post consternado com o “sútil” comentário da Veja à adoção da Revista Carta na Escola pelo colégio Visconde Porto Seguro, tradicional instituição privada de ensino da cidade de São Paulo.

https://metropolesp.wordpress.com/2008/11/10/

Agora, lendo o blog do Nassif, peguei uma interessante discussão acerca de um contrato sem licitação que a Editora Abril fechou com a Secretaria de Educação do Estado para a distribuição, por um ano, da Revista Nova Escola. Valor do contrato: R$ 3.470.000,00.

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/28/negocios-da-educacao/#comment-604457

Outros leitores fizeram o levantamento de outros tantos contratos milinários da editora Abril com a Secretaria, todos sem licitação.

Primeiro, não seria mais barato para a Secretária e os cofres públicos assinarem para as escolas (que são cerca de 6.000) ao invés de enviarem para cada professor (cerca de 300.000) e destinarem mais verbas para a melhoria da qualidade e retenção dos estudantes no Ensino Médio?

Segundo, há outras publicações de qualidade no mercado. Por que a da Editora Abril foi a escolhida?

FORA DO AR

Por problemas particulares e reorganização de início de ano letivo, ficarei fora do ar por algum tempo.
Mas volto em breve!

DA LOUCURA E DA LIBERDADE

A luta pela Liberdade tem muito vieses e um dos deles é o tratamento da saúde mental!

Há um livro do Foucault que retrata muito bem o que foi a loucura ao longo dos tempos. Chama-se “História da Loucura”. É pesado, mas valioso!

Este tema ganhou importância a partir do século XVIII, com a Cultura da Modernidade. O que é o Homem perfeito? Daí, qualquer um que não se enquadrasse no modelo de perfeição, principalmente adversários políticos dos que ocupavam o Poder.

No Brasil, a luta antimanicomial é recente, data do final dos anos 70 e se expandiu nos 80, não por acaso, juntamente com a abertura política do país. Os “loucos” eram enclausurados e aqueles, que de alguma maneira apresentavam algum distúrbio, ao invés de recuperarem-se, saíam pior (se saíssem) e com muitos traumas. Hoje em dia, muito se avançou, mas muito há que avançar. Muitos manicômios foram fechados e alternativas de tratamento espalharam-se pelo país.

Por outro lado, a cultura do medicamento expande-se. Cada vez mais crianças e adolescentes que estão numa fase de maturação e de construção do ser, vêem-se classificadas e dopadas de remédios a fim de que se estabeleça o controle externo sobre elas. Cada vez mais, os remédios são a primeira alternativa e não a última!

Discutir a loucura é discutir a liberdade e o ser humano. É discutir a loucura que há em cada um de nós e o uso político que se faz do nosso corpo e de nossa mente… Parece que sempre buscamos modelos: Jesus, Maomé, Profetas, Buda, Brad Pitt, Angelina Jolie, Gisele Bündchen, etc… Mas raramente olhamos para nós mesmos.

E numa sociedade em que o espetáculo ganha força, estes modelos cada vez mais são estéticos e cada vez menos éticos. Somos bombardeados por informações que nos confundem… Nos sensibilizamos pelo caso de assassinato de uma menina e ignoramos outros milhares que são mortos diariamente. A loucura da madrasta ou do ex-namorado é exaltada e não faltam psiquiatras e psicólogos a aparecer na TV para dar um laudo e ver sua sala de espera encher de indivíduos comuns em busca de soluções fáceis para suas vidas.

O louco pode ser a luz sobre a Liberdade que buscamos diariamente e que nos angustia…